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Uma das atribuições de um economista é tentar explicar a realidade econômica. Mas apesar de os economistas se dedicarem exaustivamente para tentar entender, sempre restam alguns paradoxos. Um desses paradoxos é a situação brasileira atual perante o mercado financeiro internacional. No final do ano de 2002 havia uma desconfiança generalizada em relação ao Brasil. Um esquerdista radical estava prestes a vencer as eleições. O risco país chegou ao seu ápice, sendo cotado como um dos 3 piores do mundo cotado a 2.436 pontos. O dólar chegou a valer quase 4 reais. De repente, em questão de poucos anos, a situação inverteu-se de forma radical. Hoje o risco país bate recordes sucessivos de baixa. O dólar está tão barato que já pode ser vendido nas lojas de 1,99, e com lucro! Paralelamente o país exibe um superávit da balança comercial que teima em sustentar-se acima dos 40 bilhões anuais. Se você procurar uma explicação para este fenômeno perguntando para economistas, receberá uma infinidade de respostas, todas elas questionáveis. Mas a resposta pode não estar na economia, mas sim na comunicação. Ocorre que há alguns anos, alguém do mercado financeiro criou uma nova expressão para definir alguns dos maiores países que integram o grupo dos emergentes. “BRIC” é a palavra formada pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China. Rapidamente os investidores do mundo todo absorveram esta sigla e pipocaram fundos de “BRIC” por toda parte, canalizando recursos para estes países. Foneticamente, esta sigla é idêntica a “brick” que em inglês significa tijolo. Daí, torna-se fácil compreender o sentimento favorável que se agregou ao termo. Um investimento sólido, e de alto rendimento. É o sonho de todo investidor! Um fundo de alto rendimento e baixo risco. É claro que o Brasil é bem diferente dos outros países, mas mesmo assim ele se aproveita da situação. O investidor sabe que cada caso é um caso, mas ele não resiste à tentação de uma idéia simples e de apelo tão forte, e o mercado mundial é tão grande, que mesmo uma minúscula porcentagem que se incline para o nosso lado já é suficiente para causar uma enxurrada de dólares trazendo as consequências que estão aí. É uma situação melhor explicada por marqueteiros que por economistas. Georgios Markakis é palestrante, escritor e diretor da empresa ETIMOS Marketing e Comunicação, uma empresa dedicada a fortalecer marcas e potencializar as receitas de clubes, federaçõs e outras entidades esportivas. georgios@etimos.com.br www.etimos.com.br
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